Quantas histórias você já ouviu de pessoas que namoraram bastante tempo e que, aparentemente, tinham um relacionamento tranquilo, mas o relacionamento não “ia para frente”, até que de repente acabou?

Vamos supor que duas pessoas se conheceram, eram pessoas muito parecidas, com interesses em comum, gostavam de fazer as mesmas coisas e ir aos mesmos lugares. Digamos que, com o tempo, uma continuou gostando das mesmas coisas e a outra pessoa não mais.  

O que foi bonito ficou feio, o que era novo envelheceu e a pessoa que a outra amava não existia mais. De quem é a culpa? De quem mudou e não “cumpriu com o combinado”, ou de quem ainda espera que essa pessoa seja aquela que conheceu?

De ninguém. Ninguém é culpado.

O mundo gira, o relógio tiquetaqueia e as pessoas mudam. Tudo ao nosso redor é responsável por nos moldar. E também é difícil acreditar que a segunda pessoa também não tenha mudado.

É natural não ouvir mais as mesmas músicas, gostar de fazer os mesmos programas… Por que não seria normal mudar nossos objetivos? A gente fica obcecado com a mudança das pessoas, que não paramos para ver as mudanças que aconteceram com a gente, também.

Se ontem você pretendia casar, ter filhos e viver uma vida tranquila e hoje você quer viajar o mundo, conhecer novas culturas e investir em uma nova profissão, é completamente normal que a pessoa que te acompanhou esse tempo todo sinta que não te conhece mais.

Mas como exigir que a pessoa que te acompanhou sofra todas essas mudanças, sendo que as experiências que nos transformam são únicas e individuais?  Aliás, é egoísta demais exigir que uma pessoa continue sendo quem ela foi um dia, justamente para “cumprir com o combinado”.

Quando terminar um relacionamento | Inspiradouro

Será que esse negócio do relacionamento “não ir para frente” é apenas uma circunstância de pessoas estarem em momentos diferentes?

A grande maioria das pessoas que conheci nessa situação de se separar após longos anos, encontram outras pessoas, casam, constituem família… E tudo isso em um curto período de tempo.

Veja bem, isso não significa que casamento seja a solução, ou o tal “futuro” que aquele relacionamento não tinha (pelo menos não para mim). O que estou dizendo é que essas pessoas, assim que se separaram, encontraram outras pessoas com objetivos em comum, objetivos esses que não vislumbravam com os ex.

E quando é com a gente? E quando sentimos que não somos mais tão compatíveis?

Tomar uma decisão de terminar um relacionamento nunca é fácil. Mas é fácil insistir todos os dias nesse relacionamento por apego ou medo de ficar sozinho?

Você também mudou. A sua maior mudança foi que um dia você já gostou muito dessa pessoa, hoje já não gosta mais e ela nem faz você tão feliz.

Muitas vezes a gente acaba pensando no quanto gostamos da família dessa pessoa, o quanto nós gostamos dos amigos, o quanto tempo estamos juntos e acostumados, que a gente acaba esticando a estadia dessa pessoa na nossa vida mais do que deveríamos.

A gente tende a se apegar a essas coisas que nos encantaram há algum tempo e não olhamos para o quadro maior. Você não está se apegando a essa pessoa e, sim, às coisas que compõem o que faz ela parecer aquela pessoa que você conheceu lá no comecinho.

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Em alguns momentos, ela pode ser isso. É mais ou menos como se fosse um vício… Em alguns momentos você sente esses lapsos onde ela volta a parecer aquela pessoa por quem você se apaixonou, só que lá no fundo você sabe que esses lapsos não duram tempo suficiente para sustentar todo o peso desse relacionamento que já é ruim o tempo todo.

Enquanto você está ali amando aquela pessoa do passado, ela já colocou o rostinho no sol e te apresentou para este ser que ela é hoje. E esse é um dos maiores aprendizados da vida: tudo se transforma e é natural que as coisas sejam assim.

Se apegar ao passado é entrar em negação, e seguir amando aquela pessoa que ela já foi, é não só negligenciar quem ela é hoje em dia, mas negligenciar você mesmo.

Porque no fundo é como se você se dissesse todos os dias que você merece um relacionamento com uma pessoa que não existe mais.

Escrito por Nadya Machado
25 anos, feminista, apaixonada por arte, adora gatos (mãe da Amora e da Frida), trabalha como estenotipista e canta jazz por aí.