Você sabia que o amor próprio não é condicionado a nada externo? | Inspiradouro

Era uma vez uma prova e uma pessoa que colocou todas as esperanças nela.

Soa familiar?

Há alguns dias eu era essa pessoa. A pessoa que leu reprovado ao lado do seu nome. Se você já sofreu por algo, sabe do que estou falando.

Mas daí, em algum momento da crise – essa é a parte que interessa – me lembrei de uma frase de Norman Vincent Peale:

“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”

Foi preciso que isso acontecesse para eu ver a realidade. O véu da ilusão caiu e me vi nua e crua, negligente e perdida. Para ver que eu não estava pronta e entender que eu queria aquela prova por todos os motivos errados.

Queria que aquela prova me desse identidade. Me desse algo que nunca consegui achar. Mas eu não sou uma prova. Eu não sou uma nota.

E por mais que eu quisesse muito contar hoje uma história diferente, isso não vai acontecer.

Posso até sonhar com os olhos apertados, imaginar meu nome ao lado de um “aprovado”. Posso ver o olhar de orgulho dos meus professores e até sentir o abraço da minha mãe.

E o melhor: posso sentir a voz de todos aqueles que duvidaram de mim, que disseram que eu não conseguiria, diminuir como uma flecha que corta o ar. Mas me concentrar muito nisso não vai mudar o passado.

Porque por mais que eu goste dessa história, ela não é minha.

Ainda sou a garota que teme o olhar do outro, que acha que todos podem ver por trás de seus ossos e enxergar seus fracassos, que olha para o espelho e vê uma pessoa perfeitamente incapaz e que tem certeza que todos a enxergam como limitada, porque acha que todos serão tão cruéis com ela como a própria escolheu ser.

Venho tentado meditar.

Há uma frase que encontrei através de Arly Cravo (e essa eu achei ter entendido).

“Eu me amo incondicionalmente”

Eu a falava como se a entendesse.

Esse episódio me mostrou como estou longe. Porque se amar incondicionalmente, não fala de um amor próprio grande ou transformador, ainda que de certo modo também o seja. Não. Fala de um amor próprio que não é condicionado a nada externo.

Se você esperar pelo próximo emprego, pela próxima relação ou a próxima aprovação para se amar, então, me desculpe, mas você nunca vai se amar. Sempre vai haver outro sonho, outra ambição.

Nenhum relacionamento é mais importante com o que temos conosco mesmo. Nenhuma vaga vale mais do que aquela que já ocupamos. Esse é o verdadeiro significado de amor próprio incondicional.

Então, sim. Por ora, essa é a minha história. E pode não ser nada daquilo que imaginei, pode não ser aquilo que eu queria. Essa não é uma história de vitória, mas sim de crescimento.

Me levantar depois disso, me faz pensar que talvez eu seja bem mais resistente que achava. Então que venha com mais, vida. Eu já percebi que depois do fracasso, se vive. Depois da queda, se levanta. E do chão eu não passo.

Sabe qual a diferença de tropeçar e cair? Nessa história, estou aprendendo isso.

E quer saber?! estou começando a me orgulhar dela.

Escrito por Alice Another
Alice não é meu nome verdadeiro. Another não é meu sobrenome. Mas se precisar de ajuda, estarei aqui.